A primeira responsabilidade de um candidato a empresário que queira aportar no franchising é saber escolher certo a franquia de seu interesse, que ele pode e quer comprar. E, para acertar na escolha, tem um bom caminho a percorrer, que inclui: conhecer o franchising, o que é e como funciona; quais as vantagens para o franqueador e para o franqueado; quais as desvantagens que podem existir e o que diz a legislação vigente. Muitas franquias afirmam que não exigem experiência no segmento, isto é certo, porém não cabe alienados no franchising. O candidato precisa e deve ter uma experiência referencial sobre o sistema, analisar bem o segmento de negócio e a franquia. Além disso, é importante ter ou buscar os conhecimentos necessários sobre administração de uma pequena empresa, sobre finanças, marketing e vendas, tributos, gestão de pessoas, negociações, etc., que associados aos treinamentos específicos da franquia, são fundamentais no dia-a-dia do negócio. O desenvolvimento será contínuo, e o Sebrae tem cursos rápidos nestas áreas.
Trabalhar muito antes de adquirir é o que é esperado. Verificar qual é o know-how e qual é o nível de especialização que a empresa franqueadora detém, verificar se o que ela promete ela realmente pode entregar. E, principalmente a qualidade dos produtos/serviços, o sistema de abastecimento das lojas, como as compras serão feitas, quais os ganhos em escala, a logística de distribuição, custos envolvidos, sistemas de informação utilizados, entre outros. É estratégico fazer uma consulta de crédito do franqueador no mercado.
Recomendo sempre aos candidatos a franquia: elabore o seu próprio plano de negócios e verifique se o negócio é realmente bom; tome cuidado – vá com cautela, não se deixe levar por pressão alguma, o dinheiro é seu, e é você que deve decidir. A responsabilidade pela escolha de uma franquia é de quem compra, não delegue isto! Na dúvida, consulte um especialista de sua confiança. Lembre-se: saiba perguntar, ouvir e analisar. É importante estar preparado para tomar uma decisão de investimento mais acertada; não pode se confundir simpatia do vendedor com confiança. Confiança na franquia vai sendo construída enquanto você trabalha o seu projeto de investimento.
No meu trabalho de consultoria, recebo alguns franqueados tristes, angustiados, e ressentidos. Reclamam do franqueador, gostariam de uma assistência maior, às vezes me parece que há certa carência digna de um “divã empresarial”. Investigo mais e acabo por descobrir que algumas vezes faltou o preparo para escolha da franquia certa, mas percebo que existem também franqueados que foram treinados, que receberam todos os manuais da franquia, só que não leram e não gostaram. Esta atitude negativa é correta? Que valor o franqueado está atribuindo ao negócio? Até que ponto uma atitude assim pode afetar os objetivos e resultados de uma franquia? Afinal, o franqueado como dono do negócio precisa fazer bem sua parte, não pode ficar a todo tempo reclamando do franqueador, limitando o desenvolvimento de sua própria empresa, cujo sucesso depende principalmente de sua administração eficiente.
Ao adquirir uma franquia, o franqueado tem acesso ao know-how do franqueador, através de treinamentos e manuais. Mas ele precisa ir fundo nos estudos dos manuais, saber consulta-los sempre que necessário, esclarecer todas as dúvidas, aplicar bem as informações e recursos de gestão recebidos, aliando teoria e prática. O que faz de uma franquia um bom negócio é o preparo do candidato para analisar bem antes de decidir, e o gerenciamento operacional e financeiro correto no dia a dia da empresa. |