O ano de 2009, estigmatizado pela crise que assolou o mundo, teve como principal paradoxo positivo no Brasil uma injeção recorde de recursos promovida pelo BNDES, sendo que do total de R$ 137,3 bilhões de desembolsos disponibilizados, a indústria ficou R$ 60,1 bilhões, um volume 54% superior ao de 2008. Para a infraestrutura, os desembolsos cresceram 32%, somando R$ 46,5 bilhões. As aprovações avançaram 30%, atingindo R$ 158,02 bilhões. Os enquadramentos e as consultas também cresceram, respectivamente 17% e 23%. É um desempenho memorável, para um ano que se apresentou de forma tão pessimista no início.
Investimentos feitos na inovação, no aumento de produtividade e principalmente em infraestrutura têm reflexos semelhantes aos que ocorrem no ciclo agrícola, no qual a colheita é o resultado de um trabalho árduo de preparação da terra, semeadura e plantio, e onde o retorno aparece em alguns anos.
Mesmo com a previsão de a indústria em 2009 fechar com um crescimento negativo de aproximadamente 7%, fruto da forte retração de demanda iniciada em novembro de 2008, e cujo patamar mais baixo ocorreu em fevereiro e março de 2009, existe otimismo para os meses que se seguem, na perspectiva de uma retomada consistente e sustentável da curva de produção.
O nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) se aproxima em ritmo acelerado do recorde histórico de ocupação das fábricas (86,7% em junho de 2008). A expectativa é que em maio esse número será alcançado. As médias históricas dos últimos dez anos apresentam 79,7% para bens de capital (dezembro de 2009 – 80,9%); 86,3% para bens intermediários (dezembro de 2009 – 84,0%); 79,5% para bens de consumo (dezembro de 2009 – 85,8%); e 83,6% para materiais de construção (dezembro de 2009- 86,2%), em uma demonstração que o grau de inflexão da curva no terceiro trimestre acentuou-se e mostra fôlego para seguir adiante. O índice de confiança da indústria (ICI) já atingiu em dezembro o patamar de julho de 2008.
Alguns setores, como transportes pesados; cargas aéreas e passageiros; transporte ferroviário; consumo de óleo diesel; embalagens primárias; setor mecânico; produtos e matérias plásticas; e têxteis, já se ressentem de aumentos de demanda, que de 12 meses para cá ultrapassaram 100%.
Comparativamente com os demais países que ainda convivem com a crise, o Brasil possui um sistema financeiro sólido, com um baixo volume de crédito; investimentos em renda variável em menor nível; perdas do setor imobiliário pouco significativas; reservas internacionais elevadas e economia relativamente fechada; e forte sensibilidade aos estímulos fiscais, condições essas que de alguma forma blindam possíveis soluços de curto prazo.
Tudo leva a crer que os reflexos desse cenário apontam para uma expansão da produção industrial da ordem de 7% a 8% em 2010.
A boa notícia adicional é que os tímidos crescimentos das economias desenvolvidas e a tendência da continuidade brasileira de exportação de commodities implicam que o direcionamento das produções adicionais que serão geradas pelos investimentos em bens de capital que foram estimulados terão como foco principal o mercado interno.
Níveis de desemprego baixo, inflação controlada, ampliação dos prazos de financiamento, estímulo à construção civil, índice de confiança alto, Copa do Mundo, eleições... Só com muita reza brava é que algo pode dar errado.
Todos os ventos sopram a nosso favor. Então engate uma primeira, aproveite essa onda e um Feliz 2010. |